Tem empresa que vende bem, fatura bem, e mesmo assim vive no aperto. Um dos motivos mais comuns para isso é a falta de capital de giro: o dinheiro necessário para sustentar a operação nos períodos em que as saídas de caixa acontecem antes das entradas. Sem esse colchão, qualquer atraso de cliente ou aumento sazonal de despesa vira emergência.
O problema é que a maioria dos donos de PME nunca calculou esse número. Sabe que "falta dinheiro de vez em quando", mas não sabe quanto precisaria ter disponível para parar de viver essa correria. Veja como calcular e organizar o capital de giro da sua empresa.
O que é capital de giro, na prática
Capital de giro é o recurso que financia o ciclo operacional da empresa: comprar ou produzir, vender, e só depois receber. Entre o momento em que você paga um fornecedor ou a folha de pagamento e o momento em que o cliente efetivamente paga a fatura, existe um intervalo. Esse intervalo precisa ser coberto por algum dinheiro, e esse dinheiro é o capital de giro.
Empresas que vendem à vista e pagam fornecedores a prazo precisam de menos capital de giro. Empresas que vendem a prazo (boleto, cartão parcelado, faturado) e pagam fornecedores à vista precisam de muito mais. É esse descasamento de prazos que determina o tamanho da necessidade.
Como calcular o capital de giro necessário
Uma forma simples e prática de estimar esse valor é: pegue o custo operacional médio diário da empresa (some as despesas fixas e variáveis do mês e divida por 30) e multiplique pelo número de dias entre o pagamento das contas e o recebimento das vendas.
Por exemplo: se a empresa tem custo operacional de R$ 60 mil por mês, isso equivale a R$ 2 mil por dia. Se, em média, ela paga fornecedores e despesas em 15 dias e recebe dos clientes em 45 dias, o descasamento é de 30 dias. Multiplicando R$ 2 mil por 30 dias, chega-se a R$ 60 mil de capital de giro necessário só para sustentar esse intervalo, sem contar imprevistos.
Sinais de que o capital de giro está insuficiente
Alguns sintomas aparecem antes de qualquer cálculo formal: uso recorrente do limite do cheque especial ou do cartão de crédito para pagar contas da empresa, atraso de um fornecedor para conseguir pagar outro, sensação de que "vende bastante, mas o dinheiro não sobra", e dependência de empréstimos de curto prazo só para manter a operação girando. Se dois ou mais desses sinais são frequentes, é bem provável que o capital de giro esteja abaixo do necessário.
Como formar ou recompor o capital de giro sem sufocar o caixa
Reconstituir capital de giro exige método, não desespero. Três frentes funcionam bem juntas. Primeiro, separe um percentual fixo do lucro mensal em uma conta de reserva, exclusiva para isso, até atingir o valor calculado. Segundo, revise os prazos negociados com fornecedores e clientes: reduzir o prazo médio de recebimento em alguns dias, ou ampliar o prazo de pagamento a fornecedores, diminui a necessidade de capital de giro sem precisar de dinheiro novo. Terceiro, evite usar linhas de crédito de curto prazo como solução permanente. Elas podem dar fôlego pontual, mas se a causa raiz do descasamento não for corrigida, a dívida só se acumula mês após mês.
Quando revisar esse número
O capital de giro necessário muda conforme a empresa cresce. Um aumento de faturamento, uma nova linha de produtos, uma mudança nas condições de pagamento aceitas ou negociadas: qualquer um desses fatores altera a conta. O ideal é recalcular esse valor a cada seis meses, ou sempre que algum desses eventos acontecer, para que o crescimento da empresa não seja sabotado por falta de fôlego financeiro.
Crescer sem capital de giro suficiente não é crescimento: é apenas adiar um problema de caixa maior.
Calcular o capital de giro é simples quando os números da empresa estão organizados. O desafio, na maioria das PMEs, é justamente não ter esses números à mão. Um diagnóstico financeiro resolve isso rapidamente e já aponta o caminho para reconstruir esse colchão sem sufocar a operação.
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